Nina Lemos http://ninalemos.blogosfera.uol.com.br Um espaço para falar sobre a vida das mulheres com mais de 40 anos, comportamento, relacionamentos, moda. E também para quebrar preconceitos, criticar e rir desse mundo louco. Wed, 26 Jun 2019 07:00:43 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Piovani e muitas mães são julgadas quando namoram. Por que só com mulheres? http://ninalemos.blogosfera.uol.com.br/2019/06/26/piovani-e-muitas-maes-sao-cobradas-quando-namoram-por-que-so-com-mulheres/ http://ninalemos.blogosfera.uol.com.br/2019/06/26/piovani-e-muitas-maes-sao-cobradas-quando-namoram-por-que-so-com-mulheres/#respond Wed, 26 Jun 2019 07:00:43 +0000 http://ninalemos.blogosfera.uol.com.br/?p=2317

Foto: Divulgação

Uma mulher se separa. No acordo entre o casal, ela vai cuidar dos filhos na maior parte do tempo. O pai arruma uma namorada. Beleza. Um tempo depois, a mulher também passa a ter um novo namorado ou um ficante. Qual a relação do pai e da sociedade em muitos casos, nesse tipo de situação? “Mas que louca!”, “Quem ela está botando em casa?”, “Ela não pensa nos filhos?”.

Não estou falando que isso é regra, mas é muito comum. Tem casais que se separam, continuam amigos, ou que, no mínimo, existe compreensão. Mas, muitas vezes, (infelizmente) não é assim. E a mãe ainda é julgada por (nossa!) ter uma vida.

Leia também

Pensei nisso conversando com uma amiga, mãe e separada, depois de ler as recentes fofocas envolvendo Luana Piovani e Pedro Scooby. Eles se separaram, Pedro namora Anitta. Tudo bem. Mas o que fazem? Começam a arrumar namorados para Luana (nenhum confirmado por ela, que afirmou estar solteira) e a cobrarem: “Como assim?”, Colocou um homem em casa?”, “Está se divertindo?”.

E se tivesse um novo namorado que dormisse na casa dela: qual o problema? Uma mãe não tem capacidade de fazer isso de forma consciente? Ela tem que ficar infeliz, só cuidando das crianças, enquanto o pai aproveita a vida?

Pelo contrário: e precisamos deixar claro é que uma mulher pode (e deve) ser divertir e ter uma vida depois de ser mãe, certo? Mulheres separadas e mães não precisam fazer um pacto de celibato. E, se elas conseguem cuidar dos filhos, devem ser capazes de escolher um parceiro que seja bacana com eles, não?

Outro homem em casa? Nunca!

Conversando com mães  separadas, vi que essa cobrança de celibato (principalmente pelos  pais dos filhos) não é rara. Em alguns casos, a mulher cuida do filho 99% do tempo. O pai só vê as crianças em finais de semana alternados. Quando a moça arruma um namorado, o cara surta. “Você vai colocar um homem perto dos meus filhos?”  

Claro que o ciúme é natural. Mas vamos ser racionais: será que uma mãe que tem a responsabilidade sobre 99% do que o filho faz e que cuida dele não teria responsabilidade na hora de pensar em colocar um cara em casa de forma responsável? Provavelmente, sim, não?  E se o ex não confia nessa capacidade de julgamento da mãe dos filhos, não deveria deixar a mulher ser responsável pela maior parte da educação da criança, oras!

O caso aconteceu com a designer Marina (nome fictício). “Estou separada há sete anos. Arrumei um namorado quatro anos depois da separação. Meu ex, que nem via o filho direito e não pagava pensão, ficou um mês sem falar comigo. Depois, passou a me mandar mensagens preocupado com meu filho, porque ele estava convivendo com outro homem. Disse que tinha lido tudo sobre o cara no Facebook, ficou fazendo uma investigação e me cobrando. O que me pergunto: por que ele não havia se preocupado antes?”

Ana (nome fictício), também separada, está solteira, mas, mesmo assim, enfrenta problemas semelhantes com o pai do filho. “Ele está com a pensão atrasada, não liga para o meu filho. Mas outro dia pedi para que ele ficasse com ele uma vez por semana, disse que o menino sentia falta dele, o que é verdade”. A resposta que Ana recebeu: “Ele disse que eu só pensava em mim, que queria me divertir. Deixando claro que, se eu queria tempo, deveria ser porque estava saindo com alguém.” Bem, e se Ana quisesse se divertir? Ela não pode?

Com Lidiane da Silva foi um pouco pior. “O pai de um dos meus filhos me abandonou grávida e, depois de uns anos, mudou de país. Agora, tenho um namorado legal que, inclusive, virou uma figura importante na vida do meu filho. O que ele fez? Me mandou uma mensagem falando que não queria outro homem perto do filho, que ele ia voltar um dia só para provar que o pai era ele.” Sim. Isso aconteceu.

Atenção. Eu não estou falando que todos os casos são assim! Há casais que se separam, continuam amigos. E existe, também, muita mulher que não aceita que o pai tenha uma boa relação com o filho e uma nova namorada ao mesmo tempo, por exemplo. Mas, em muitos casos, as mulheres se ferram quando, depois de separadas e com filhos, decidem ter uma vida. Ainda. Por isso, é importante repetir: ser mãe não é pacto de celibato.

]]>
0
Sonho: ter um hacker com superpoderes para justificar nossas mancadas http://ninalemos.blogosfera.uol.com.br/2019/06/25/sonho-ter-um-hacker-com-superpoderes-para-justificar-nossas-mancadas/ http://ninalemos.blogosfera.uol.com.br/2019/06/25/sonho-ter-um-hacker-com-superpoderes-para-justificar-nossas-mancadas/#respond Tue, 25 Jun 2019 07:00:06 +0000 http://ninalemos.blogosfera.uol.com.br/?p=2302

Foto: Getty Images

Príncipe encantado? Gênio da lâmpada? Não, meu sonho de consumo (e acho que de muitos) é um hacker para chamar de meu. Não estou falando de qualquer hacker. Meu plano não é invadir computadores e telefones dos outros. Queria um desses hackers com superpoderes, como os que apareceram no cenário político brasileiro nos últimos tempos.

Se você vive em Marte, eu explico. O site “The Intercept Brasil” vem divulgando vazamentos de conversas de Telegram entre o Ministro da Justiça Sergio Moro e o procurador Deltan Dallagnol.  Uma das possibilidades, citadas por eles, é que as mensagens podem ter sido adulteradas por um hacker. Ou seja, esse seria um hacker especial, que, além de ter roubar mensagens de celulares e contas (algo condenável e criminoso, claro) poderia também alterar o conteúdos das mensagens. Ou seja, o hacker escreveria!

Leia também

Por que somos tão corajosos na Internet (e não estou falando só dos haters)

Caso Glenn e David: até quando vão achar que gay é xingamento?

Bolsonaro e Maria do Rosário: desculpas protocolares não interessam

Imagina que sonho. Se você faz um relatório chato no trabalho e erra, a culpa seria do hacker.  Erro na planilha de Excel? Mas quem errou não fui eu, foi o hacker que alterou tudo! Fez um trabalho para a faculdade e ele não ficou bom? Nenhum problema: só avisar para a professora que o texto foi alterado pelo hacker, mas que você não tinha percebido antes. Pode mudar essa nota aí!

Quem mandou a mensagem foi o hacker

Mas o que eu acho mais maravilhoso nesse hacker, e por isso gostaria tanto de ter um, é que ele poderia ser usado como justificativa para erros do passado: essas gafes online que todos cometemos. Sabe aquela mensagem que você mandou e se arrependeu? Não foi você, foi ele.

Seria excelente para um tipo de erro muito praticado em tempos de WhatsApp: postar mensagens em grupos errados (quem nunca?). Tenho uma conhecida que tem o hábito de mandar mensagens para o grupo de WhatsApp de família falando mal de algum parente que…  está no grupo de família! Isso já causou problemas e pânicos.

Isso acontece bastante. Uma amiga, por exemplo, já mandou mensagem falando mal de um membro do grupo para… o grupo. No caso, ela achou que tinha mandado para mim. Foram momentos de pânico.

Depois disso, criamos uma técnica: você começa a escrever várias mensagens sobre temas diferentes, faz todo mundo mudar de assunto, para ver se a mensagem errada se perde no meio das conversas. Costuma funcionar. Mas nunca se sabe. Com um hacker particular, tudo isso seria evitado. Era só falar: quem escreveu isso não fui eu!

Outra coisa que acontece bastante, principalmente para quem está em início de paquera, durante brigas com namorado/marido ou discussões de amigos (e outras situações tensas) é mandar uma mensagem e se arrepender. Você manda. Dois minutos depois, tem a certeza absoluta de que não deveria ter mandado. Isso pode ter consequências sérias, você pode romper amizades e até terminar um relacionamento. Agora, tudo se resolveria, claro, se você tivesse o hacker. Quando a pessoa responder, você diz: “Mensagem? Que mensagem? Não mandei nada! Foi o hacker!”

Dizem que postar na internet, tuitar e mandar mensagens bêbado é perigoso (imagino, mas nunca me aconteceu porque não bebo). Para os que bebem, escrevem um monte de coisas, publicam, capotam e acordam no dia seguinte com ressaca física e moral, essa também seria a desculpa perfeita. Bastaria postar no meio da ressaca: “Gente, um hacker escreveu umas coisas absurdas aqui”.

Para minha utilidade pessoal, o hacker também corrigiria todos os erros que já escrevi em textos (quem nunca?). Se você achar um aqui, não fui eu, foi o hacker! E todos aqueles textos que escrevi no passado e acho que não fazem mais sentido foram escritos por ele, também. Esse é um texto de humor. Mas se você não viu graça nele, não tem problema. Quem escreveu não fui eu (e vocês já sabem quem foi).

]]>
0
Por que somos tão corajosos na Internet (e não estou falando só de haters) http://ninalemos.blogosfera.uol.com.br/2019/06/21/por-que-somos-tao-corajosos-na-internet-e-nao-estou-falando-so-de-haters/ http://ninalemos.blogosfera.uol.com.br/2019/06/21/por-que-somos-tao-corajosos-na-internet-e-nao-estou-falando-so-de-haters/#respond Fri, 21 Jun 2019 07:00:09 +0000 http://ninalemos.blogosfera.uol.com.br/?p=2291  

Getty Images

Aconteceu essa semana. De novo. Escrevi um texto nesse blog falando que uma mulher com a idade do Keanu Reeves não seria a queridinha do momento. Recebi uma reação com a qual já estou acostumada. “Velha! Vagabunda! Feminazi! Cabelo de playmobil”, gritaram no meu Instagram, comentários, Twitter.

Nada demais. Isso é rotina na vida de quem escreve para a Internet (principalmente na de quem ousa ter opinião e é mulher). Mas faz parte. Mais um dia no escritório. A gente bloqueia alguns comentários. Fim.

Veja também

Mas, outro dia, conversando com a minha mãe (e nem era sobre haters) ela me disse uma coisa óbvia e verdadeira: “como as pessoas são corajosas na Internet, não?”

Pois é. Imagina se uma dessas pessoas teria coragem de encontrar comigo na rua e gritar: “CABELO DE PLAYMOBIL!”.  A maioria não teria. Poderia até comentar baixo (o que é normal), mas não iria além disso.

A internet, os grupos de WhatsApp, e qualquer lugar onde possamos mandar mensagens escrevendo sem olhar na cara e ter que arcar com as consequências (que pode ser até levar um tapa) são lugares onde  falamos “o que der na cabeça”. Mas cuidado com quem fala tudo que pensa, isso significa que essa pessoa está sem superego, ou seja, meio maluca. Isso nos tornam super heróis da coragem (e também da falta de educação).

Mas não, isso não acontece só com comentaristas de portal agressivos ou pessoas que gastam seu tempo indo no Instagram de blogueiros ou pessoas públicas para xingar. Acontece com todos nós. Sim, comigo, com você. A internet nos dá a coragem para fazer coisas que não faríamos na vida real. E, no geral, essas coisas não são boas.

Aconteceu comigo. Outro dia me irritei em um grupo de WhatsApp (sim, viramos essas pessoas que brigam em grupos de WhatsApp). Claro que não xinguei geral. Mas disse coisas ali que não falaria em uma mesa de bar.

“Tô fora desse humor hipster”, eu disse. A pergunta é: eu, uma pessoa adulta, teria usado da mesma linguagem em uma mesa de bar? Não, né? Eu teria me levantado. No máximo, ido embora e depois comentaria com alguém que aquele tipo de conversa me deixava sem paciência. Simples assim. Eram assim que as coisas eram resolvidas nos anos 90.

Mas não, escrevendo, de longe, descontrolei e falei de um jeito que na vida normal não falaria.

Você falaria isso na cara da pessoa?

Outro dia recebi uma mensagem de uma amiga que, no dia, me magoou bastante. Ela fazia tipo um resumo dos meus defeitos (sob o olhar dela, claro). Em uma mensagem de celular ela me chamava de dramática, exagerada… enfim. Foi bem chato e magoou. E é aí que entra a minha mãe. Comentei com ela, que me disse: “as pessoas enlouqueceram. Elas não teriam coragem de falar isso na cara das outras! Seria como encontrar com você na rua e gritar: ‘você é dramática, exagerada!’ Como isso acabaria? No tapa?”.

Sim, minha mãe tem toda razão. A internet é linda e maravilhosa, mas também faz com que todos nós percamos o controle e a civilidade. E estou me incluindo totalmente nisso. Até a minha mãe, que já passou dos 70, perdeu o controle. Durante as eleições, ela escreveu para uma mulher em um grupo da cidade onde nasceu: “Você é uma imbecil”. Eu juro! Podem rir. Quando ela faria isso na vida real? Mas nunca!

E, vamos lembrar, a época das eleições talvez tenha sido a época em que descemos mais baixo. Mas pelo jeito não aprendemos.

Eu não sou exatamente uma pessoa “que ama uma treta”. Contrário. Desde criança sou medrosa e não brigo. Brigar de tapa mesmo só com uma prima-irmã (e eu sempre perdia e apanhava).

Imagina se eu teria coragem de falar: “que saco, isso é bem coisa dessa geração mesmo! Não pensam!” na cara de um grupo de pessoas? O que teria acontecido? Teriam gritado comigo! E eu teria merecido. Pois, em um grupo de WhatsApp, eu tive.

Vamos parar de fazer isso? Não sei se vamos conseguir. Algumas pessoas se viciaram no prazer de xingar e espalhar ódio e não vão mudar.

Mas e a gente, que se acha civilizado? Será que vamos conseguir mudar? Sugiro um exercício, que vou começar a fazer hoje. Antes de falar algo para alguém, seja no WhatsApp, no Instagram, no Twitter ou no Telegram, imaginar se a gente falaria o mesmo se estivesse cara a cara com a pessoa. Muitos desentendimentos podem ser evitados. E nem vamos ter que culpar “o hacker”.  🙂

]]>
0
Keanu Reeves é crush do momento aos 54. Aconteceria o mesmo com uma mulher? http://ninalemos.blogosfera.uol.com.br/2019/06/19/keanu-reeves-e-crush-do-momento-aos-54-aconteceria-o-mesmo-com-uma-mulher/ http://ninalemos.blogosfera.uol.com.br/2019/06/19/keanu-reeves-e-crush-do-momento-aos-54-aconteceria-o-mesmo-com-uma-mulher/#respond Wed, 19 Jun 2019 07:00:11 +0000 http://ninalemos.blogosfera.uol.com.br/?p=2279

Divulgação/ YSL

“Sem defeitos”. “Perfeito”. “Meu marido”. “O cara mais legal do mundo”. Essas frases estão sendo usadas para falar do ator Keanu Reeves, que esse ano completa 55 anos.

Ele está no topo das paradas e foi eleito o “novo crush da internet”. Todas mulheres querem o Keanu. E todos os homens querem ser como ele.

Veja também

Keanu, um ator que é, sim, um gato muito talentoso e parece ser um cara super legal, teve seu auge no fim dos anos 90, início dos 2000.

Agora, a internet e os jovens descobriram o sujeito. Ele é estrela do filme “John Wick 3” e vai fazer parte do jogo de videogame “Cyberpunk 2077”, lançado no ano que vem. Ele é venerado por, entre outras coisas, tirar fotos com fãs sem colocar a mão na bunda ou cintura delas, mas no ombro (legal, mas todos deviam fazer isso, não?). Ele é também o atual rosto da Yves Saint Laurent. Aplausos. Merecido.

Claro, também sou fã do Keanu, desde os anos 90, desde quando ele estrelou “Garotos de Programa” com River Phoenix (vejam esse filme!). Mas, enquanto vejo o ator ser idolatrado, penso: será que isso um dia acontecerá com uma atriz mulher da mesma idade que ele? A resposta é óbvia: por enquanto, não.

Em um dos textos que sobre os motivos do ator ser o crush do ano encontrei isso:

“Normalmente, um dos princípios básicos para ser crush é a beleza e nesse quesito o artista tira de letra. Aos 54 anos, seu conjunto de barba e cabelo longo é puro charme e o torna um dos galãs mais bonitões e cobiçados de Hollywood.”

Ok, eu acho o Keanu lindo também. Mas, enquanto sua beleza (com rugas) é celebrada, atrizes de Hollywood sofrem com o preconceito contra a idade e críticas contra suas aparências apenas porque… envelheceram. Keanu também envelhece. O mundo todo (incluindo eu) acha lindo.

Julia Roberts feia?

Reprodução

Ano passado, Julia Roberts (deusa, maravilhosa), então com 50 anos, teve uma foto sua publicada no Instagram de sua sobrinha. Ela estava sem maquiagem, jogando cartas com a família. A reação das pessoas poderia ter sido falar: “deusa!”, “melhor pessoa!”, “olha que legal, ela joga baralho com a sobrinha de manhã!”. Mas não, por estar sem maquiagem, ela, aquela linda, foi chamada de feia, de velha e ofendida por ter um momento familiar postado. Ofendida!

Julia declarou na época: “Isso realmente me machucou! Fiquei chocada. Poxa, eu levei um susto, minha sobrinha tinha dormido em casa, era uma linda manhã, a gente estava feliz jogando cartas e tomando chá. Ela postou essa foto e a reação foi: ‘nossa, como ela está feia!’, ‘ela não sabe envelhecer!’, ‘Ela parece um homem’.”

No Brasil, temos o exemplo da Xuxa que, aos 56 anos, poderia muito bem virar a crush da internet. Afinal, quanto mais envelhece, mais legal ela fica. Corta o cabelo como quer, fala o que quer, parece estar no melhor momento da vida. Mas o que ela recebe em troca: “velha!”, “está horrível!”.

E temos Madonna, claro, a atriz que vem sido extremamente criticada por… ter 60 anos e rebolar. Em entrevista ao “Fantástico” semana passada, ela afirmou, “se eu fosse homem, você não perguntaria a minha idade.” Verdade. Quem pergunta a idade, sei lá, do Michael Stipe?

Nada contra o Keanu ser um mito (apesar de eu achar essa idéia de inventar “princesos” meio complicada, já que de perto ninguém é normal. E príncipe não existe, como sabemos, mas adoramos esquecer).

Agora, feliz eu ficarei no dia em que uma mulher também for celebrada no ano em que completa 55 anos.

Mas, por enquanto, do lado feminino da vida, mesmo no caso das mais lindas e glamourosas mulheres do mundo, o que as moças da idade do ator (ou mais novas) ouvem é: “tá velha! Tem ruga! Fez muita plástica!”

Se vocês quiserem inventar princesas, têm um monte de mulher maravilhosa por aí. Voto em Winona Ryder (amiga íntima de Keanu, de 48 anos, a mãe de “Stranger Things”). Ah, lembrei, Winona quando aparece não é chamada de crush, deusa ou mito, mas de louca. E, infelizmente, isso é rotina. Até quando?

]]>
0
Caso Glenn e David: até quando vão achar que chamar de gay é xingamento? http://ninalemos.blogosfera.uol.com.br/2019/06/14/caso-glenn-e-david-ate-quando-vao-achar-que-chamar-de-gay-e-xingamento/ http://ninalemos.blogosfera.uol.com.br/2019/06/14/caso-glenn-e-david-ate-quando-vao-achar-que-chamar-de-gay-e-xingamento/#respond Fri, 14 Jun 2019 07:00:27 +0000 http://ninalemos.blogosfera.uol.com.br/?p=2261

Cadu Pilotto/ Revista Caras

“Viado!”

“Esse gay é namorado do deputado!”

“Esse gringo gay pensa o quê?”

Essas foram algumas das “ofensas” deferidas ao jornalista Glenn Greenwald e seu marido, David Miranda, nos últimos dias. Claro, as atenções do país todo estão voltadas para eles.

Veja também

Para quem mora em Marte, o jornalista Glenn, do site “The Intercept”, tem divulgado uma série de reportagens que sacodem a Lava Jato e atingem vários poderosos da cena política do país. David Miranda, marido de Glenn, é deputado federal. Ele ocupa a vaga deixada por Jean Wyllys, de quem era suplente. Sim, eles são gays. E eu pergunto: e daí?

Se você não gosta deles, tem todo o direito de discordar do que dizem. Se desconfia do trabalho que fazem, nenhum problema. O mundo é feito mesmo de discordâncias.

Mas, bem, estamos em 2019. Ano em que, por exemplo, o primeiro ministro de Luxemburgo, Xavier Bettel é gay. E seu marido, Gauthier Destenay, causou reações positivas (sim, ainda existe salvação no mundo) quando posou em fotos junto com algumas principais primeiras damas do mundo, como Melania Trump e Brigitte Macron e a rainha Matilde, da Bélgica, em um encontro da Otam. E vocês continuam chamando as pessoas de gay de um jeito ofensivo?

Esse é o mundo de hoje. Sim, ele é colorido. Que bom.

Cada vez mais pessoas famosas (e não famosas) se assumem como gays (o que é ótimo). E vocês continuam mesmo achando que gay é xingamento?

Como disse Jean Wyllys em sua coluna, não precisa avisar para o Glenn e o David que eles são gays. Eles sabem! E eles têm orgulho disso. Os dois são casados, assumidos, e pais de dois filhos. Eles formam uma família, assim como Daniela Mercury forma uma família com sua esposa Malu Verçosa, como Nanda Costa é uma família com Lan Lahn. Como milhares de pessoas ao redor do mundo. Não tem nada, nada de errado nisso.

Claro que não é uma surpresa no país em que mais gays são mortos por crime de ódio no mundo, que a orientação sexual dos dois, e o fato deles formarem uma família, vire motivo para ataques. Mas não deixa de ser triste e lamentável que isso ainda aconteça.

Vale lembrar também que a criminalização da homofobia foi aprovada ontem pelo STF! Essa é uma grande notícia, que merece ser comemorada por todos aqueles que são contra a violência e acreditam no amor.

Ah, então eu não posso dizer que um gay é gay? Claro que pode. Eles também dizem que são gays, inclusive. O que não pode é usar a orientação sexual dos outros para agredir e assim propagar o ódio. E, sim, os dois já estão recebendo ameaças de morte. Uma delas, os chama de “gays pedófilos”.

Se fossem duas mulheres casadas, seria igual. Sapatão! Cola velcro! Suvaco peludo!

Os deputados também dançam

Um dos ataques deferidos contra David Miranda é um vídeo em que ele aparece sem camisa dançando. E aí? É errado dançar? Mas isso é atitude de deputado? Bem, pelo que a gente sabe deputados fazem coisas horríveis quando estão trabalhando (com o salário pago com nossos impostos). Dançar (e bem, no Carnaval, em um momento de lazer) seria algo errado?

Achar que alguém dançar sem camisa é um crime chega a ser engraçado.

Mas o assunto é sério quando vira munição para ódio, ameaças de morte e ataques contra a integridade física das pessoas.

Agora, quanto ao fato de gays (e mulheres!) ocuparem mais e mais lugares de destaque no mundo, os odiadores de plantão vão ter que se acostumar. Não tem mais volta. Cabe aos preconceituosos se acostumarem. Ou espumar ódio. Porque não vai mudar. Aceita, gente!

]]>
0
Bolsonaro e Maria do Rosário: desculpas protocolares não interessam tanto http://ninalemos.blogosfera.uol.com.br/2019/06/13/bolsonaro-e-maria-do-rosario-desculpas-protocolares-nao-interessam/ http://ninalemos.blogosfera.uol.com.br/2019/06/13/bolsonaro-e-maria-do-rosario-desculpas-protocolares-nao-interessam/#respond Thu, 13 Jun 2019 23:51:40 +0000 http://ninalemos.blogosfera.uol.com.br/?p=2268

Reprodução

“Jamais iria estuprar você porque você não merece”, a frase do então deputado Jair Bolsonaro, dita para a então colega Maria do Rosário é famosa no mundo todo.

Para explicar algumas das opiniões do presidente, os jornais internacionais sempre escrevem: “o presidente, que já disse que uma deputada não merecia ser estuprada e que preferia ter um filho morto a um filho gay.”

Veja também

Parece absurdo para o mundo que alguém que disse uma coisa dessas seja presidente de um país tão importante como o Brasil.

O caso aconteceu em 2003, mas não será esquecido (nem no Brasil, nem fora dele). Tanto que Bolsonaro foi processado por Maria do Rosário. A deputada ganhou.

O presidente foi condenado a pagar R$ 10 mil e se retratar. Ele fez o que a lei manda, hoje, no último dia do prazo, o  que já causa a sensação o de que ele fez contra a vontade, como se estivesse, de fato, cumprindo um castigo. Como se a professora mandasse “pedir desculpas para a coleguinha” para não ser expulso da escola.

Sua carta já começa quase com um pedido de desculpas por TER QUE PEDIR DESCULPAS. “Em razão de determinação judicial venho pedir publicamente desculpas pelas minhas falas passadas dirigidas à deputada Federal Maria do Rosário Nunes.” Ou seja, ele avisou que estava fazendo isso obrigado. Não por vontade, não de coração. Em seguida, disse que agiu no calor do momento. Mas logo se defendeu. “Após ser injustamente ofendido pela deputada, que me chamou de estuprador, retruquei que ela não merecia ser estuprada.”

Em seguida, ele diz que seu governo está comprometido com a causa feminina etc. e finaliza dizendo que respeita todas as mulheres. Esperamos, sinceramente, que seja verdade.

Mas, falar que se arrependeu? Não disse. Que foi para o cantinho pensar e viu que tinha falado uma coisa absurda, que não deveria nem passar pela cabeça de alguém? Não disse.

O presidente esqueceu de falar o óbvio, que o estupro não é um “presente” para alguém merecer, mas um crime. Estupro não é algo que alguém “mereça”, como uma coisa boa. Contrário, ninguém PODE ser estuprada porque esse é um crime terrível, que deixa marcas eternas nas mulheres que passaram por esse trauma. Fim.

A publicação da carta foi comemorada por mulheres na Internet como uma vitória. Acho que vale, sim, comemorar, mas o que celebramos é apenas o cumprimento da Lei.

O que a gente queria mesmo é que o presidente pensasse no que disse, refletisse, falasse que tinha errado pesado, que isso não aconteceria de novo etc. Não aconteceu. Seria esperar demais? A esperança é a última que morre. Por isso, esperamos que o presidente pense de verdade no que fez e peça desculpas sinceras um dia.

Desculpa porque foi obrigado? Desculpa tentando  justificar ao que é injustificável? Não é o que nós, mulheres que nos sentimos agredidas pela frase, esperamos.

Aguardemos. Quem sabe um dia?

]]>
0
Campanha: nesse Dia dos Namorados, saia das redes sociais e vá transar! http://ninalemos.blogosfera.uol.com.br/2019/06/12/nesse-dia-dos-namorados-saia-das-redes-sociais-e-va-transar/ http://ninalemos.blogosfera.uol.com.br/2019/06/12/nesse-dia-dos-namorados-saia-das-redes-sociais-e-va-transar/#respond Wed, 12 Jun 2019 07:00:14 +0000 http://ninalemos.blogosfera.uol.com.br/?p=2251

Ninguém precisa ver as cafonices que um casal faz junto, né? (Foto: Divulgação)

Hoje é Dia dos Namorados. Dia de sair para jantar com o amado, de ficar em casa de bobeira. Ou de ignorar a data, normal. Mas é também dia de ver Stories com mimos de quem recebeu algo dos amados, ver declarações de amor íntimas de pessoas que não conhecemos e fotos de apaixonados que parecem não ter problema nenhum de relacionamento (nem uma DR que seja).

E até de se sentir meio obrigado a fazer uma declaração de amor pública para agradar o parceiro (a) para que ele não fique chateado. Já que todo mundo faz, melhor fazer também.

Veja também

Hoje é dia de ver muito casal que nem é tão feliz assim (sabemos, quando somos amigos da vida real e ouvimos as confidências) postar fotos românticas ostentando uma vida maravilhosa juntos. Talvez eles façam isso para se convencer de que são felizes.

Lembro que a atriz e escritora Monica Martelli me contou uma vez que postava fotos dela com um ex (no fim de um relacionamento) e todos diziam que eles eram incríveis juntos, um verdadeiro “casalzão da porra”. Eram tantas mensagens positivas que ela se convenceu que o relacionamento era bom por um tempo. Quem nunca? Entendo a Mônica. Muitas vezes a minha vida parece melhor nas redes do que é na realidade.

Mas, e o Dia dos Namorados? Bem, pelo menos no passado, esse era um dia em que os casais transavam. Nós, humanos, andamos fazendo pouco sexo. Pouquíssimo. Várias pesquisas mostram isso, e uma das causas é justamente o excesso de uso de redes sociais.

Então, minha modesta sugestão para esse Dia dos Namorados é que você ostente menos e transe mais. E não, não precisa postar foto do motel, ou da cama com rosas que você preparou se você gosta desse tipo de romantismo. Não precisa! Vou lembrar de novo nesse blog que o íntimo é intimo. Ninguém precisa saber que você vai transar. Ninguém precisa saber que você está muito feliz. E, na real, ninguém está nem aí, porque você não é tão importante, como, aliás, todas as outras pessoas.

Essas fotos, repito, servem para que as pessoas que não têm namorado, que estão brigadas com os pares etc. olharem e sentirem inveja. Se você está feliz de verdade precisa mesmo esfregar isso na cara dos outros? Você precisa mesmo ostentar? Não seria melhor dar atenção para o momento e dedicar um tempo para a pessoa que está com você?

Eu, pessoalmente, não acredito em dia dos namorados. Nunca gostei, independentemente de estar namorando ou não. Mas sei que tem gente que ainda:

1- Gosta de dia dos namorados (e tudo bem, se joga).

2- Sofre nos dia dos namorados por não ter namorado.

Meu conselho (que dou de graça) para os dois grupos é: desligue o celular! Há alguns anos, a MTV Brasil lançou uma campanha que dizia: “desligue a TV, vá ler um livro.” Aproveito o mote para lançar uma campanha aqui para o Dia dos Namorados desse ano: “Desligue as redes sociais, vá transar.” Se não tiver com quem transar, vá ler as noticias, ver série, encontrar amigos, ler um livro. Mas não entre nas redes sociais!

Como a maioria das pessoas do grupo 1 (os com namorado que gostam de celebrar a data) não vai ler essa coluna e seguir os meus conselhos, você vai acabar se magoando e acreditando que todos são felizes e você não (não é verdade, ninguém é totalmente feliz, guarde esse mantra).

Ostentação Vintage

Curiosidade para quem não lembra da vida antes da internet. Na minha adolescência (e na de quem tem hoje os seus 40 anos ou mais) não existia internet. Então, existiam dois tipos máximos de ostentação no Dia dos Namorados: mandar flores para a namorada na hora do recreio da escola, ou no trabalho (e a pessoa em geral fica superconstrangida) ou “colocar faixa.”

Sim, as pessoas colocavam uma faixa, dessas em que hoje está escrito “queima total, pamonha 6 por 1” com declarações de amor escritas na frente da casa da pessoa amada ou de algum lugar que ela frequentasse, tipo o trabalho ou a escola.

Era um processo complicado, que envolvia pintar a tal faixa, levar uma escada de madrugada, pendurar. Essa era a maior ostentação amorosa existente. Ou seja, dava um trabalho danado. E o resultado nem sempre era bom (o recebedor da faixa em geral ficava bem constrangido, pelo que lembro).

Hoje, em um tempo em que para “fazer a faixa” só precisamos clicar ou postar uma foto no Instagram, será que perdemos todos o constrangimento? Entramos em uma disputa de quem é mais romântico, mais feliz, com o melhor dia dos namorados?

Não caiam nessa. Repito. Desligue a internet e vá transar. Ou desligue e vá ler um livro. Você consegue.

 

]]>
0
Sororidade é ter que concordar e ser amiga de todas as mulheres? Não é, não http://ninalemos.blogosfera.uol.com.br/2019/06/10/sororidade-e-ter-que-concordar-e-ser-amiga-de-todas-as-mulheres-nao-e-nao/ http://ninalemos.blogosfera.uol.com.br/2019/06/10/sororidade-e-ter-que-concordar-e-ser-amiga-de-todas-as-mulheres-nao-e-nao/#respond Mon, 10 Jun 2019 07:00:16 +0000 http://ninalemos.blogosfera.uol.com.br/?p=2239

Toda mulher tem que ser amiga de todas as mulheres. Como assim, vocês, mulheres, estão criticando outras? Cadê a sororidade? Vocês falam em sororidade, né? Mas na hora de entender a fulana, não praticam. Cadê as feministas para defender a sicrana?

Qualquer mulher que se diz feminista, e mesmo as que não se dizem, já deve ter ouvido esse tipo de cobrança. Como se, por ser mulher (e feminista) a gente não pudesse:

  1. Discordar de outras mulheres
  2. Não sentir que temos “a ver” com outras mulheres
  3. Não gostar de outras mulheres (sim, acontece, somos seres humanos individuais).

Sororidade vem de irmandade e é um termo muito importante para o feminismo. Significa, em outras palavras, tentar se colocar no lugar de outras mulheres que sofrem opressão. Como, por exemplo, não reproduzir atitudes machistas, como criticar uma mulher por causa da roupa curta que ela usa. E também se unir na luta contra as opressões que vivemos e combater a ideia de que mulher vive competindo (o que não é verdade).

Veja também

Mas será que temos, só pelo fato de sermos mulheres, nos tornarmos  “irmãs de todas as outras mulheres?” A idéia é muito bonita, mas, funciona na prática?

Para tentar entender essa confusão, o Blog convidou algumas feministas para discutirem e tentarem esclarecer essas questões.

Afinal, praticar a sororidade é se identificar e gostar de todas as mulheres?

“Não acho que devo defender todas as mulheres só porque elas são mulheres. O conceito é importante, e foi criado com a intenção de manifestar reconhecimento à condição de outras mulheres porque, na sociedade, sofremos muito preconceito, seja por causa do decote ou por causa do véu”, explica a filósofa Marcia Tiburi, autora, entre outros livros, de “Feminismo em comum, para todos e todas”

Segundo ela, devemos ter cuidado para não ultrapassar os limites. Ou seja, achar que temos que gostar e defender todas as mulheres do mundo e assim criar uma outra cobrança para nós mesmas! Segundo a filósofa, achar que uma mulher tem que ser amiga de outra mulher, só por causa do gênero, é uma ideia: “fundamentalista.”

Nem rivais, nem melhores amigas

Segundo a advogada Dina Alves, do Adelinas, Coletivo Autônomo de Mulheres Pretas, uma das principais utilidades da sororidade é combater o conceito da “falsa rivalidade feminina”. Sim, estão nos livros, nos filmes e nas novelas centenas de exemplos de mulheres competindo, o que não é a realidade.

“A sororidade é uma idéia política. Cabe às mulheres se unirem, ao meu ver, sendo brancas ou negras, para lutarem pela emancipação de todas, pensando no coletivo. Isso não quer dizer que vou ser amiga de todas as mulheres. Há algumas que não estão do mesmo lado da luta que eu, pensam muito diferente de mim”, ela diz.

Dina lembra uma parte bonita da sororidade, que pode ser praticada por todas nós. “Eu vejo coisas muito legais acontecendo. Faço doutorado na PUC e, lá, as meninas se organizaram para, por exemplo, sempre deixarem absorvente no banheiro para outras mulheres. Organizam pela internet grupos para que voltem juntas para casa, porque na rua corremos perigo. Acho isso muito bacana.”

A feminista negra Vilma Piedade, autora do livro “Dororidade” (assim mesmo, escrito com D), diz que até gostaria de se identificar com todas as mulheres. Mas que, na prática, isso não acontece exatamente. “Me identificar com todas as mulheres é muito amplo. Somos muito divididas. São práticas, culturas e pautas diferentes. As opressões e os privilégios que alguns grupos de mulheres têm nos divide no cotidiano. Deveria bastar ser mulher para que eu me identificasse, mas nem sempre rola assim. Mas, por outro lado, o aumento do feminicídio, que mata só por ser mulher, faz com que eu me identifique com todas as mulheres”, diz .

Unidas pela dor

A sororidade, segundo ela, “é um conceito muito importante, que ancora o feminismo e que deveria ser um elemento de união entre todas as mulheres. No entanto, não é isso que acontece sempre na prática”. Isso significa que tudo está perdido e que o conceito não tem valor? De jeito nenhum!

“Nós, mulheres, estamos cada vez mais nos apoiando e nos unindo no sentido de fortalecimento”, diz Vilma, que criou o termo “dororidade” por sentir que a sororidade não expressava tudo o que as mulheres negras passavam. “Sororidade é fundamental, mas como mulher negra, não me sentia contemplada totalmente pelo termo. Dororidade vem de dor. Porque, na minha concepção, o que une as mulheres é a dor. A dor provocada pelo machismo atinge todas as mulheres, mas, nós, mulheres pretas temos uma dor a mais. A dor provocada pelo racismo”. Quem há de negar?

Resumo da conversa: sim, estamos nos apoiando mais, policiando nossas atitudes “machistas” e isso é muito importante. Mas, não, isso não significa que temos que ser melhores amigas de todas as mulheres, e que devemos sair defendendo todas elas em qualquer tipo de situação. Podemos divergir. Somos diferentes, aliás, como todos os seres humanos, não?

]]>
0
Caso Neymar gera onda criminosa na internet de glorificação a goleiro Bruno http://ninalemos.blogosfera.uol.com.br/2019/06/07/caso-neymar-gera-onda-criminosa-na-internet-de-glorificacao-a-goleiro-bruno/ http://ninalemos.blogosfera.uol.com.br/2019/06/07/caso-neymar-gera-onda-criminosa-na-internet-de-glorificacao-a-goleiro-bruno/#respond Fri, 07 Jun 2019 07:00:20 +0000 http://ninalemos.blogosfera.uol.com.br/?p=2231

AFP

A modelo Eliza Samudio foi assassinada em 2010, aos 25 anos. Segundo a investigação, o crime teve participação direta do goleiro Bruno (então jogador de destaque do Flamengo, com quem namorou e teve um filho). Depois de ser convidada por Bruno a ir a um sítio, ela teria tomado uma coronhada, foi asfixiada e, depois, esquartejada. Para finalizar a barbárie, os assassinos contratados por Bruno teriam jogado seus ossos para cachorros.

Esse é um dos mais emblemáticos crimes contra a mulher da história do Brasil. Bruno foi condenado a 23 anos e meio por homicídio triplo qualificado e sequestro. Houve um julgamento. Não se trata de suposições.

Veja também

A história arrepia qualquer pessoa mais ou menos sensível. E arrepia mais ainda ver que, em 2019, um assassino condenado e perigoso como Bruno virou piada na Internet. E muitas pessoas dizem… “sentir falta do goleiro Bruno.’

Sim, isso está acontecendo. O ex-goleiro Bruno foi resgatado nos últimos dias por conta do caso Neymar (acusado de estupro). Memes e piadas pela internet afora dizem que Neymar é Nutella, Bruno raiz. Alguns dizem que Neymar devia ter agido como o goleiro Bruno. Ou seja, estão incitando o assassinato de mulheres, assim, livremente. E tem até mulher rindo dessa piada.

Não estou aqui falando sobre o caso Neymar, que vai ser julgado dentro da lei. O que choca, muito, é ver pessoas aclamando um assassino cruel. Para algumas pessoas do Brasil, um criminoso desse grau é um exemplo a ser seguido.

Alguns posts sobre a acusadora de Neymar, Najila Trindade, exibem fotos de cachorros violentos com mensagens do estilo: “é assim que se trata essas marias chuteiras.” Não vou reproduzir os outros aqui para não espalhar o ódio, mas basta dizer que alguns desejam o mesmo que aconteceu com Eliza para a moça que acusa Neymar. Tudo isso com muitas risadas.

Apologia ao crime

O blog enviou alguns dos posts e memes para o advogado Iberê Bandeira de Mello para entender se escrever essas coisas é crime ou não. Segundo ele, os tuítes que pregam diretamente que a acusadora seja morta se enquadram no artigo 286 do código penal como Incitação ao Crime. “Isso configura incitar publicamente a prática de um crime”, ele explica. A pena pode ser detenção de 3 a 6 anos de detenção ou multa. Os que apoiam o goleiro Bruno podem se enquadrar no artigo 287 , que trata de “Apologia ao crime ou criminoso.” A pena é a mesma.

“Todos são crimes de código penal”, ele explica. Ou seja: na sua piada, no seu meme, você pode estar praticando, sim, um crime. “A parte atingida teria direito, sim, de denunciar e pedir indenização”, explica Iberê.

De acordo com o advogado criminalista Anderson Lopes, essas mensagens se configuram como “difamação”. Algumas delas, as que pregam a morte, “são de apologia ao crime mesmo”. Além disso, segundo ele, elas não se encaixam nas políticas das redes sociais, que tentam banir esse tipo de conteúdo criminoso. “As pessoas precisam fazer denúncias para a rede social, denúncias em massa, porque só assim esses perfis serão excluídos”, recomenda.

Além de crime, claro, essas manifestações de “apoio ao criminoso” são uma falta de respeito gigantesca com a memória de Eliza e de sua família. Sim, ela tem uma mãe, que cuida do seu filho, que sobreviveu a essa tragédia terrível e vai ter que lidar com o fato do pai ter matado a mãe pelo resto da vida.

Ídolo?

Vale lembrar que quando o goleiro Bruno foi solto, por um curto período, em 2017, ele foi contratado por um time de futebol. No dia de sua estreia, foi intensamente fotografado e recebido por fãs. Alguns pais levaram, inclusive, seus filhos para tirarem foto no colo de… um assassino.

Sim, ele era um grande esportista. Quem entende de esporte fala que ele teria uma carreira brilhante pela frente… Mas ele é um… assassino condenado, que agiu com requintes de crueldade.

Não existe graça nem na idolatria aos fãs de Bruno (que, se gostavam do seu futebol, já deviam ter entendido que o ídolo tem não só os pés de barro, mas as mãos sujas de sangue) nem nas piadas. É imperdoável.

Respeitem a Eliza Samudio e todas as outras vítimas. São muitas. Para lembrar: entre 1980 e 2013, mais de 100 mil mulheres foram mortas por feminicídio no Brasil e os números têm subido. Parem de alimentar o ódio e, com isso, correr o risco de aumentar ainda mais as estatísticas!

]]>
0
MC Reaça: o ódio às mulheres que acaba vitimando o próprio odiador http://ninalemos.blogosfera.uol.com.br/2019/06/04/mc-reaca-o-odio-as-mulheres-que-acaba-vitimando-o-proprio-odiador/ http://ninalemos.blogosfera.uol.com.br/2019/06/04/mc-reaca-o-odio-as-mulheres-que-acaba-vitimando-o-proprio-odiador/#respond Tue, 04 Jun 2019 07:00:35 +0000 http://ninalemos.blogosfera.uol.com.br/?p=2221

Trecho do video “Olha a opressão”/ Reprodução

“Para a CUT, pão com mortadela, para as feministas, ração na tigela. As minas de direita são top, enquanto as de esquerda têm mais pelo que cadela.”

Esse é um trecho “Proibidão do Bolsonaro”, o maior “hit” de Tales Volpi, conhecido como MC Reaça, que morreu ontem de maneira trágica. O cantor, de 25 anos, teria se suicidado após ter espancado a amante. A moça está internada com sérias lesões no maxilar — ela será operada.

Veja também

Tales fazia paródia de músicas, a maioria delas, com menção de ódio a mulheres, especialmente feministas.

“Essa menina é feminista, essa menina é terrorista, provoca a polícia na Avenida Paulista”, ele canta em outra música, chamada  “Olha a opressão.” No vídeo, uma menina de piercing e cabelo rosa aparece batendo nos homens. O estereótipo é esso mesmo: loucas! Odeiam todos os homens! Tatuadas! Com piercing!

Esses detalhes estéticos pareciam incomodar bastante o MC, que tinha uma espécie de obsessão pela falta de depilação nas mulheres.

“Ela não quer saber de depilação, tem o suvaco peludo igual a um machão”, ele canta.

Carta de repúdio

As músicas de Tales já chegaram a ser alvo de protestos da OAB e do MP de Pernambuco, que repudiaram a música que homenageia o presidente, tocada na Marcha da Família em setembro de 2018. A carta da OAB diz: “os estarrecedores trechos da música reduzem as mulheres à condição análoga a de seres irracionais e incitam o ódio, a violência e o preconceito contra aquelas que se reconhecem feministas e/ou que têm orientação política diversa do aludido candidato”, dizia o documento na época.

A mesma música cita também pejorativamente, Maria do Rosário, Jandira Feghalli e Jean Wyllys.

Tales fazia parte de uma corrente de homens que odeia “feministas” como se fossemos animais de uma espécie do mal: monstros malignos, “uma raça” que não presta e merece ser odiada (“taca pedra na Geni!”).

Não é preciso ser psicanalista para entender o óbvio, as feministas são odiadas porque colocam em ameaça tudo aquilo que eles têm como certo. “Elas não sabem lavar uma panela”. “Não servem para casamento”. E, claro, podem levar as moças boas e limpinhas para o mal caminho.

Tales teve um fim trágico, que não pode e não deve ser comemorado. É muito triste que um jovem de 26 anos morra — aparentemente ele se matou. É triste também que isso tenha acontecido depois de um caso de agressão contra uma mulher grávida, como dizem as investigações.

É tudo muito, muito triste. E também um alerta de que o ódio às mulheres pode ser perigoso até para o próprio odiador, que, de tanta raiva, uma hora pode “fazer uma bobagem”, ou seja, praticar um crime, perder todos os limites. No caso de Tales, depois do crime, ele se matou. Caso comum em muitos casos de feminicídio: os assassinos se matam depois de matarem a parceira.

Em uma gravação enviada à mulher antes de cometer suicídio,  Tales pede que a esposa oficial cuide da criança. “Se a fulana não perder o bebê.” Ou seja, é uma masculinidade tóxica do início ao fim, que de tão tóxica, acabou matando o próprio cantor.

É triste de verdade. E para lembrar, esse é um evento corriqueiro em no Brasil, país onde, segundo levantamento do Datafolha, mais de 500 mulheres são agredidas por hora.

 

]]>
0