Nina Lemos

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Europa cria lei pelo "direito de desaparecer" das redes sociais

Nina Lemos

10/01/2018 04h00

(Ilustração: Getty Images)

 

Detalhes sobre a roupa que foi usada no Ano Novo, o hotel onde se teve #sorte de se hospedar. Janeiro está sendo um mês difícil para quem, como eu, está trabalhando e acompanhando a vida dos outros pelas redes sociais. Sei que deveria parar, sou viciada, não consigo.

Ficamos até tontos no meio de tantos detalhes, alegria, riqueza e euforia exibidos nas redes. Principalmente no Instagram, esse mundo paralelo onde não existe crise, todos acordam bem dispostos e recebem “mimos”. Mas nesses tempos em que se mostra tudo, existe também gente lutando para que outros direitos sejam respeitados na rede. Entre eles, está o DIREITO DE SER ESQUECIDO. Sim, enquanto aparecemos, tem quem queira desaparecer. E me diga, isso nunca passou pela sua cabeça?

Depois da overdose de felicidade nas redes sociais no fim do ano, duas amigas já vieram me falar que “querem largar tudo isso”, como se fosse uma droga. Quem disse que não é?

Mas como desparecer das redes? É difícil, porque se você sai do Facebook seus dados ficam lá até que você volte. E mesmo se não voltar, tudo está guardado em alguma dessas nuvens.

Não seja ingênuo de pensar que o seu perfil não vale nada. Todos os seus dados, gostos, tudo está ali. As informações sobre você são a mercadoria mais valiosa da internet. Elas podem ser usadas para direcionar publicidade para você, pesquisas e sabe-se lá mais o quê. Sim. É muito “Black Mirror”, mas é o que acontece na vida real.

O direito de ser esquecido

A história é tão séria que a partir de maio a União Europeia coloca em prática um pacote de leis de regularização da internet que, segundo especialistas, vai ser a maior mudança na rede desde o surgimento do Facebook. A “General Data Protection Regulation” (Regulação Geral da Proteção de Dados) está sendo preparada desde 2016 e entra em vigor em maio. A ideia é proteger dados dos usuários. Não, ninguém vai poder sair usando informações sobre você sem que você saiba e autorize.

E, parágrafo importante: fica garantido o direito de ser esquecido. Isso significa que se você quiser sair do Facebook ou de outra rede social de verdade, tipo sumir mesmo, sair para comprar cigarro e nunca mais voltar, eles terão que fazer o que você quer e apagar todos os seus dados. “Você pode terminar seu contrato de membro quando quiser, e nesse caso sua conta poderá ser permanente deletada com todas as informações associadas a ela”, diz a lei.

A coisa é seríssima. As multas são altas e empresas como o Facebook, se não cumprirem, estarão lascadas.

Boa notícia para quem quer fugir. Sim, você tem todo o direito de aparecer, mas tem que poder desaparecer também.

Então, se você quiser sair do mundo virtual e morar nas montanha da vida off-line, isso terá que ser respeitado. Pelo menos na Europa.

Que sirva de exemplo. E que fique liberado o direito de “largar tudo”, cair na estrada sem celular ou computador e virar um eremitão virtual. Por que não? #partiu

Nina Lemos

Nina Lemos é jornalista e escritora, tem 46 anos e mora em Berlim. É feminista das antigas e uma das criadoras do 02 Neurônio, que lançou cinco livros e teve um site no UOL no começo de 2000. Foi colunista da Folha de S. Paulo, repórter especial da revista Tpm e blogueira do Estadão e do Yahoo. Escreveu também o romance “A Ditadura da Moda”.

Sobre o blog

Um espaço para falar sobre a vida das mulheres com mais de 40 anos, comportamento, relacionamentos, moda. E também para quebrar preconceitos, criticar e rir desse mundo louco.

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