menu
Topo
Nina Lemos

Nina Lemos

"Meu bicho ficou doente": como não cair em ciladas?

Nina Lemos

16/04/2018 12h59

Foto: Getty Images

O seu bicho de estimação adoece repentinamente, fica fraco, para de comer. O que você faz? Entra em desespero, claro. E vai correndo com seu bicho amado para a clínica veterinária mais próxima. Chegando lá, dizem que o caso é grave (desespero). Seu bicho precisa ser internado e submetido a vários exames e procedimentos. Você diz sim para tudo, óbvio! Afinal, você só quer que seu animal seja salvo e não sofra. A conta vai aumentando. Parece um pesadelo.

Aconteceu comigo. Há duas semanas, minha gata Cafeína, de 13 anos, ficou doente. O que fizemos? Eu e minha mãe saímos correndo com ela para uma clínica em Botafogo, zona sul do Rio de Janeiro, indicada por uma conhecida. Ela estava mal e ficou internada. No dia seguinte, recebemos o diagnóstico: peritonite, o rim estava péssimo, o fígado também. E a gata idosa precisaria fazer uma cirurgia para remover um rim. Eu também, pelo visto, teria que remover meu para pagar a conta, que já somava mais de R$ 2.000. Só a cirurgia custaria mais R$ 3.000, fora os outros dias de internação etc.

Fui salva por uma prima médica e protetora de animais que me disse com firmeza que a gata não devia ser operada e me indicou a Suipa (Sociedade União Internacional Protetora dos Animais). Ali, esperei seis horas por atendimento. Mas minha gata foi bem tratada, veio para casa com a prescrição de vários antibióticos e comida especial e, enquanto escrevo esse texto, está viva, bem e do meu lado. Minha gata foi salva por muito pouco de fazer uma cirurgia onde corria o risco de morrer e eu fui salva da falência.

A modelo Marina Dias e seu gato não tiveram a mesma sorte. "Ano passado meu gato ficou internado e foi operado em uma clínica particular em Pinheiros (zona oeste de São Paulo). Ele   não aguentou o pós-operatório e faleceu poucos dias depois. A conta foi de R$ 10.000.E não me deixaram parcelar, nada. Foi duro (em todos os sentidos)."

Quanto mais contava o meu drama com minha gata, mais encontrava pessoas que passaram pela mesma situação. E, sim, fica claro pelas histórias que algumas clínicas (claro que não são todas e existem muitas boas e comprometidas com os animais) se aproveitam da nossa dor e desespero para (literalmente) meter a faca (nos pressionando para fazer procedimentos invasivos em nossos animais e cobrando uma fortuna).

Mas como se precaver para fugir dessas armadilhas quando seu bicho fica doente?

"Quando pedem muito exame caro já começo a desconfiar", diz a experiente gateira Ju Freitas. "Uma vez minha gata parou de comer, ficou muito quieta. Levei em uma clinica de emergência perto da minha casa no Rio de Janeiro e queriam fazer uma operação de urgência no intestino. Fiquei desesperada. Eu não tinha dinheiro, não teria como pagar. O meu tio, que também é gateiro, me indicou um veterinário de confiança. Levei  e o que a minha gata tinha eram gazes. Foi só trocar a ração e ficou tudo bem". Prova de que existe, claro, muito profissional bom.

Erramos (e quem paga é o cliente) 

Mas existe caso até de clínica que comete erro médico (e faz o cliente pagar pelo erro ). Aconteceu com outra gateira, Emy Pimenta. "Meu gato estava com obstrução na uretra, foi internado em uma clínica. Deram muito soro e a bexiga dele explodiu. Por causa disso, ele teve que fazer uma cirurgia de reconstrução", conta Emy. Além de quase perder o bicho, ela teve que pagar (e caro) pelo procedimento. "Só a cirurgia foi R$ 2.000. Fora as diárias de internação e vários exames. Passei seis meses pagando no cartão de crédito."

Depois desse episódio, ela passou a tratar seus gatos em um hospital público de animais de São Paulo, o Anclivepa.

"O atendimento é ótimo, mas não é perfeito, claro, você tem que esperar horas para conseguir uma senha, outras muitas horas para ter atendimento. Mas eles cuidam muito bem dos animais."

Algumas idéias para escapar dessas situações desesperantes: peça indicação para associações de proteção de animais da sua cidade. E, mesmo no desespero, respire fundo e peça uma segunda opinião no caso de sugestão de processo muito invasivo e caro. Se eu não tivesse feito isso, minha gata estaria (se viva) sem um rim. E eu, falida.

Suípa (Sociedade União Internacional Protetora dos Animais): (21) 3297-8777

Anclivepa: (11) 2291-5159

Nina Lemos

Nina Lemos é jornalista e escritora, tem 46 anos e mora em Berlim. É feminista das antigas e uma das criadoras do 02 Neurônio, que lançou cinco livros e teve um site no UOL no começo de 2000. Foi colunista da Folha de S. Paulo, repórter especial da revista Tpm e blogueira do Estadão e do Yahoo. Escreveu também o romance “A Ditadura da Moda”.

Sobre o blog

Um espaço para falar sobre a vida das mulheres com mais de 40 anos, comportamento, relacionamentos, moda. E também para quebrar preconceitos, criticar e rir desse mundo louco.