menu
Topo
Nina Lemos

Nina Lemos

Brasileira que denunciou DJ diz receber ameaça e temer por guarda da filha

Nina Lemos

2002-01-20T19:04:00

02/01/2019 04h00

"Até hoje recebo e-mail do meu ex e de amigos dele me ameaçando e agredindo", quem conta é Rebeca Kodaira, produtora de 22 anos. A brasileira teve fratura de crânio e passou uma semana internada depois de, segundo ela, ter sido agredida pelo então namorado e pai da sua filha, o peruano Fabian Lamar, conhecido como DJ NU. Lamar é um DJ famoso na cena de musica eletrônica alternativa e a suposta agressão aconteceu no começo de dezembro, em Berlim, na Alemanha.

O caso veio a tona no dia 28 de dezembro, quando Rebeca , que no momento está com a filha de 11 meses na casa do pai, em São Paulo, expôs o caso nas redes sociais.

Veja também

"Desde que a agressão aconteceu, me pressionaram para não denunciar, mentir. Vários DJs de Berlim me falaram para ficar quieta, senão eu poderia destruir a carreira dele", ela contou com exclusividade ao blog. Rebeca mostrou um desses e-mails. Ali, ela é acusada por um amigo de Lamar de estar "matando o DJ."

No dia da suposta agressão, Rebeca conta que acordou sendo estrangulada pelo ex, que disse: "vou te matar". Depois disso, ele teria batido com a cabeça da produtora na parede, e sacudido a garota pelos cabelos. Rebeca conta que desmaiou e acordou nua e ensanguentada sozinha no banheiro. O blog enviou mensagem com perguntas para Fabian Lamar mas não obteve resposta.

"Como eles podem falar que eu que estou tentando matá-lo?", pergunta Rebeca. Leia abaixo seu depoimento ao blog: 

"Cuida da tua filha"

"Desde que fui agredida (em 5 de dezembro, em Berlim),  meu pai me sugeriu agir pacificamente. Somos pessoas que não acreditam em resolver violência com violência. Acreditamos que ele esteja fora de si, que ele tenha falta de amor. Eu não podia dar o amor que ele pedia, pois estava doente e sozinha (Rebeca tem uma obstrução no rim e, na época da agressão, tinha acabado de receber alta do hospital e pesava 36 quilos). Lembro de pedir para ficar sozinha por conta das cólicas renais e ele trazer a minha filha e jogar na cama como se fosse um saco de lixo e falar: 'cuida da tua filha' e ficar no outro quarto com as duas outras filhas (de outro relacionamento de Lamar) que ele chamava de primeiro amor."

Quebrada e sozinha

"Depois da agressão, meu pai dizia que não precisávamos de nada dele, que era para eu voltar para o Brasil e simplesmente esquecer o que aconteceu. Só que no primeiro julgamento, depois dele ter me agredido, ele e a ex mulher me acusaram de só querer dinheiro dele, de ter problemas psicológicos e tentaram convencer a justiça alemã de que eles deviam levar minha filha com ele para o México, onde ele tocaria em festas. Eu achei um absurdo, uma covardia, fiquei revoltada. Imagina, depois de tentar me matar, ele viajar com a minha filha!

Orientada pelo meu advogado, fiz um acordo de que minha filha ficaria uma semana comigo, uma com o pai. Foi também decretado que ele teria que manter distancia de 200 metros de mim.

A promotora autorizou que ele fosse ao México (sem a filha), pois tinha trabalho (ele tocaria em festas, que foram canceladas). E eu pedi para ir ao Brasil, pois estava doente, toda quebrada, e não era justo que ficasse sozinha nessa situação com a minha filha em um apartamento onde fui brutalmente agredida. Eles permitiram minha viagem com minha filha e fico aqui durante esse mês."

Ele podia mudar

"O meu advogado me recomendou que eu não discutisse mais com a promotora e fez um acordo para que eu conseguisse vir ao Brasil me tratar como uma espécie de teste, para ver se eu estava apta a cuidar da minha filha. Até então, eu estava quieta. Também tinha medo de expor a situação e prejudicar a carreira dele. Ouvia isso o tempo todo dos amigos dele, de vários DJs de Berlim. No inicio eu até menti, falava que era um acidente. Mas chegou uma hora em que eu não aguentava mais ser humilhada e resolvi divulgar. Algumas amigas também passaram a falar sobre o assunto nas redes, porque estavam muito revoltadas pelo que aconteceu comigo.

Ele tem surtos desde o início dos nosso relacionamento, em fevereiro de 2017. Mas eu achava que com meu amor conseguiria salvá-lo. Hoje, só quero me tratar e ficar com a minha filha em segurança, no Brasil, na casa dos meus pais. Meu medo é não ter a guarda permanente dela."

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Nina Lemos é jornalista e escritora, tem 46 anos e mora em Berlim. É feminista das antigas e uma das criadoras do 02 Neurônio, que lançou cinco livros e teve um site no UOL no começo de 2000. Foi colunista da Folha de S. Paulo, repórter especial da revista Tpm e blogueira do Estadão e do Yahoo. Escreveu também o romance “A Ditadura da Moda”.

Sobre o blog

Um espaço para falar sobre a vida das mulheres com mais de 40 anos, comportamento, relacionamentos, moda. E também para quebrar preconceitos, criticar e rir desse mundo louco.