Topo
Nina Lemos

Nina Lemos

Sobrevivência emocional no Carnaval: reaja ao assédio, não se apaixone...

Nina Lemos

2004-03-20T19:04:00

04/03/2019 04h00

Rogério Casimiro/ UOL

Ir a algum bloco sem vontade e ficar presa no meio (todas as ruas lotadas). Ter ataque de pânico. Brigar com o namorado no meio do bloco e virar um casal que fica discutindo na calçada e chorando. Bem, tudo isso faz até parte do Carnaval.

Mas depois de viver muitos (e ainda ter nascido no Rio de Janeiro) coletei algumas dicas de sobrevivência emocional ao longo dos anos e divido com vocês. Não garanto que elas possam salvar seu Carnaval. Mas podem ajudar, sim.

Veja também

1. Não se obrigue a ir a blocos se você não gosta de (ou tem síndrome de pânico)

A blogueira que vos escreve já fez isso um milhão de vezes (tanto que tenho até dicas testadas de Carnaval). Eu tenho síndrome do pânico, sou filha de pais carnavalescos e sempre fui obrigada a pular carnaval (e gostar). Peguei trauma.

Várias vezes fui "porque todo mundo iá". Não foi nada legal, eu ficava ali meio desesperada pensando em quando aquilo ia acabar, fingindo que estava gostando e pensando quando finalmente eu poderia voltar para casa (e como).

Dica para quem tem síndrome de pânico: não vá para um bloco onde você vá ficar presa, ou vá com amigos de extrema confiança que vão entender o seu pânico ao invés de falar: "para de ser boba e anima".

2. Mas se tiver vontade, dê uma chance

Mesmo não sendo uma foliã animada (detalhe: eu não bebo), eu já me diverti, sim, em blocos e bailes de Carnaval. Tem ano que você está no pique, dia que você quer, dia que não. Se tiver vontade, ué, vá!

3. Não queime largada

 História real: um amigo gosta tanto, mas tanto de Carnaval que quando era criança desmaiou de tanto dançar na matinê. Bem, esse mesmo amigo, anos atrás, estava animadíssimo para o Carnaval, como sempre. Pulou tanto no pré Carnaval que ficou com um torcicolo terrível, foi parar no hospital e passou o resto do Carnaval com uma tala no pescoço e proibido de pular…

4. Fuja dos caras que puxam o cabelo ou pegam pelo braço

Sim, eles existem. Esse tipo de idiota em geral fica em grupinho no meio dos blocos, ou perto deles, puxando as meninas pelo cabelo ou pelo braço e falando: "veeem". Tente desviar desses sujeitos. Se não tiver jeito, grite: "me larga!". Use apito, faça um escândalo. Eles vão ficar lá te chamando de feia e de louca. Mas dane-se. Sim, o hábito dos caras chamarem de feia depois de abordarem uma mulher de um jeito uó e serem rejeitados precisa se estudado.

5. Se você for um cara, não seja esse cara que puxa o cabelo e pega pelo braço

Se você é um desses sujeitos que faz esse tipo de coisa e chegou até aqui (vai que alguém te mandou esse texto como uma espécie de indireta.)… Vou te falar uma coisa: PARE DE SER ESSE TIPO DE IDIOTA! O que você ganha com isso? Você acha mesmo que alguma mulher gosta de ser puxada pelo cabelo? Você acha que puxando pelo braço vai seduzir alguém? Não vai, simplesmente vai estar agindo como um idiota e incomodando as meninas. Não, as mulheres definitivamente não gostam desse tipo de abordagem (não adianta tentar se enganar falando que " no fundo elas gostam").

 6. Se passarem a mão na sua bunda

 Não tem desculpa. E aqui vai um relato pessoal. Quando eu tinha uns 12 anos de idade, ou seja, era uma criança, um homem adulto beliscou o meu peito no meio de um bloco. Esse é meu caso de primeiro assédio. Não existe desculpa para esse tipo de comportamento. Apite. Avise a polícia. Grite alto. Mas não deixe passar, não. E se você for um cara, só vou repetir uma coisa: não, as mulheres não passam no meio do bloco porque QUEREM isso. O nome disso é assédio. E assédio é crime.

 7. O que fazer se seu namorado gosta de Carnaval e você não (ou o contrário)

Me permito um conselho. Sabe aquela música "nós vamos brincar separados", então, olhe a sabedoria de antigamente. Pelo amor, se você não gosta de Carnaval, não se force a ir "e fingir que está gostando" (senão corre o risco de acontecer o que está no item abaixo). O cara que vá sozinho, oras. E respeite o tipo de acordo que vocês tiverem sobre fidelidade. Evidentemente o mesmo vale para as mulheres. Deixar de ir porque namorado ou namorada não quer e ficar em casa passando vontade? JAMAIS.

 8. Tente não brigar com o namorado (namorada) no meio do bloco

Já vi essa cena milhões de vezes: o clássico casal discutindo do lado do bloco. Vira uma cena. Ele sai de perto, volta, ela chora. Bem, ir a um bloco para brigar? Se você não gosta de Carnaval, repito, não vá. E se o seu namorado agir como um idiota e ficar dando em cima de outras, bem, vá embora e depois converse com ele. E, outra, piração de ciúme no Carnaval, do tipo: "sua ex tá aí", ou "aquele cara tá te olhando" não leva a nada. Isso só vai fazer você virar parte de um casal que fica discutindo no meio da calçada…

 9. Não se apaixone

Eu sei, eu sei. A gente não controla. Tem amor de Carnaval que dura, sim. Mas no geral… experiência pessoal, de quem já viveu muitos Carnavais… não costuma dar certo. Você fica com um cara incrível no primeiro dia de Carnaval, é maravilhoso, você pensa que vai passar o Carnaval com ele e…. pronto… já está ele no dia seguinte no bloco beijando outra. Se acontecer, tente não perder o Carnaval só por causa disso. Quando me aconteceu, deu certo, superei.

10. Use camisinha

Precisa explicar? E lembre-se: todo Carnaval tem seu fim.

 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Nina Lemos é jornalista e escritora, tem 46 anos e mora em Berlim. É feminista das antigas e uma das criadoras do 02 Neurônio, que lançou cinco livros e teve um site no UOL no começo de 2000. Foi colunista da Folha de S. Paulo, repórter especial da revista Tpm e blogueira do Estadão e do Yahoo. Escreveu também o romance “A Ditadura da Moda”.

Sobre o blog

Um espaço para falar sobre a vida das mulheres com mais de 40 anos, comportamento, relacionamentos, moda. E também para quebrar preconceitos, criticar e rir desse mundo louco.