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Nina Lemos

Nina Lemos

Adultos estão transando menos. E culpa é de seu smartphone e da rede social

Nina Lemos

2010-05-20T19:04:00

10/05/2019 04h00

Quem consegue transar ali, olhando essa tela aqui? (Foto: Getty Images)

"Quem gosta de sexo é jovem, adulto gosta de pagar boleto em dia."

"Quem gosta de sexo é adolescente, adulto gosta de casa com sinteco novo"

Esses são alguns dos exemplos de um dos memes mais tradicionais do Twitter brasileiro. Na rede, vez ou outra os usuários tiram sarro de si mesmos e da vida adulta falando sobre o quanto outras coisas podem ser melhor que sexo. Boleto e sinteco são só exemplos de uma lista infindável, que inclui roupa com cheiro de amaciante e advogado trabalhista.

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Pois é, não fazemos essa piada sem motivo. Nós, adultos, estamos fazendo cada vez menos sexo. E quem está dizendo isso não sou eu, mas cientistas britânicos sérios.

Uma pesquisa divulgada essa semana pelo "Jornal Britânico de Medicina" mostra que, a cada década que passa, transamos menos. Os dados mostram que, entre 2002 e 2012, a libido tem diminuído. Os mais atingidos pela baixa geral do tesão mundial somos nós, adultos entre 24 e 46, aqueles que preferem pagar boleto (e ficar no Twitter criando memes). Desse grupo, mais da metade, segundo os pesquisadores, transa MENOS do que uma vez por semana.

O iPhone é inimigo do sexo

Segundo os cientistas, uma das razões do nosso marasmo sexual é a internet. E os maiores vilões são os smartphones e as mídias sociais. Os estudiosos chegam a apontar uma baixa na atividade sexual dos adultos britânicos em 2007, com o lançamento do iPhone!

É bizarro. Mas faz sentido. Quanto do seu tempo livre você passa conectado? Pensem em um dia de um casal adulto "normal" de classe média sem filhos.

Depois de trabalhar o dia todo, você chega em casa, arruma um monte de coisa e, na hora de "descansar", pega o telefone e passa horas fazendo coisas estúpidas e divertidas. Entre elas: brigar no Facebook, sentir inveja das pessoas no Instagram e ver quais são as desgraças do dia no Twitter. Resultado: você vai para a cama de mau humor porque brigou e perdeu tempo. Lá, encontra seu parceiro conversando no WhatsApp com os amigos. Se vocês nem se falam, o que dirá transar? Quem tem tempo para isso?

A coisa tá tão feia que, segundo os pesquisadores, mais de 29% dos homens e mulheres relataram não ter tido relações sexuais no mês que antecedeu a pesquisa. Nenhuma vezinha.

Alguém duvida que os dados também se aplicam para o Brasil? Ou que no Brasil pode ser ainda pior?

Segundo os especialistas britânicos, as pessoas estão fazendo menos sexo por duas razões: o abuso do uso de mídias sociais e a quantidade de trabalho (principalmente os que nos fazem ficar conectados o tempo todo) e preocupação com dinheiro.

Nós, brasileiros, que vivemos uma grave crise econômica (são 14 milhões de desempregados e 64 milhões de pessoas com nome sujo) e somos campeões mundiais em uso de rede social devemos estar pior que os ingleses. Bem pior.

Vai transar!

Conclusão disso tudo. Viramos pessoas que xingam muito na internet falando que as pessoas precisam de sexo, que estão nervosas demais porque não transam … em vez de fazer sexo.

Segundo os médicos, a falta de tesão é preocupante, já que uma vida sexual ativa faz bem para a saúde física e mental, mantém os relacionamentos saudáveis e… bem, não precisa ser o Freud para saber que sexo é uma parte importante da vida.

Mas, pensem bem: se a gente não consegue nem conversar mais, ler em um transporte público ou até andar na rua observando as coisas sem ter uma tela na frente da cara, porque seria diferente com o sexo?

Resultado da era das mídias sociais: nos sentimos um lixo vendo a vida dos outros no Instagram, lemos menos livros, dormimos mal, nos irritamos… e não transamos. Precisamos repensar nossas vidas urgentemente…

 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Nina Lemos é jornalista e escritora, tem 46 anos e mora em Berlim. É feminista das antigas e uma das criadoras do 02 Neurônio, que lançou cinco livros e teve um site no UOL no começo de 2000. Foi colunista da Folha de S. Paulo, repórter especial da revista Tpm e blogueira do Estadão e do Yahoo. Escreveu também o romance “A Ditadura da Moda”.

Sobre o blog

Um espaço para falar sobre a vida das mulheres com mais de 40 anos, comportamento, relacionamentos, moda. E também para quebrar preconceitos, criticar e rir desse mundo louco.