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Bolsonaro e Trump ofendem Greta enquanto brincam de "WAR" e de arminha

Nina Lemos

13/12/2019 04h00

Imagem: REUTERS/Tom Brenner"Tão ridículo, Greta deve trabalhar em seu problema de controle da raiva e depois ir a um bom cinema com as amigas. Relaxa, Greta, relaxe".

A frase foi dita por Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, famoso, entre outras coisas, pelos seus ataques de raiva, em relação ao fato de Greta Thunberg ter sido eleita a personalidade do ano da revista "Time". Greta, a ativista ambiental, é a pessoa mais jovem a receber tal honraria e desbancou na disputa muitas pessoas mais experientes que ela, inclusive, ele, Donald Trump. Quem será que precisa relaxar? Quem será que não sabe brincar?

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Um dia antes de Greta receber o título, ela havia sido chamada pelo presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, de "pirralha".

Sim, parece piada. Quem são Donald Trump e Bolsonaro na fila do psiquiatra para falar para Greta relaxar ou se referir a ela como uma pirralha?

Trump vive no Twitter, onde, como uma criança com problemas de controle da raiva, ameaça lideres de outras potências inclusive, com guerra.  A impressão que dá é que esse foi um dos motivos que fizeram o empresário querer ser presidente: brincar de War.  Ele já declarou inclusive: "Sou muito bom em guerras, eu amo as guerras, inclusive as armas nucleares."

Exemplo de controle da raiva de Trump (traduzido como ele escreveu, em caixa alta):

"Para o presidente do irã Rohani: NUNCA, JAMAIS AMEACE OS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA DE NOVO OU VOCÊ VAI SOFRER  CONSEQUÊNCIAS QUE NUNCA PESSOAS SENTIRAM ANTES NA HISTÓRIA.  NÓS NAO SOMOS MAIS UM PAÍS QUE ACEITARÁ SUAS PALAVRAS  DEMENTES DE VIOLENCIA E MORTE! TOME CUIDADO!"

Como vocês podem ver, ele realmente lida com a raiva super bem…

Como ele não pode fazer tudo o que quer (existe um sistema democrático nos Estados Unidos), ele usa seu brinquedinho Twitter para ameaçar pessoas, tal qual um moleque provocador que, no meio da partida, grita: "a bola é minha!". E Jair Bolsonaro,  como todos sabemos, é o homem conhecido pela atitude superadulta de  "fazer arminha". Superadultos…

Seus amigos e familiares tem um infantil (mas também perigoso) apreço por armas. No dia em que a pirralha Greta Thunberg aparecia linda, leve e com cabelos ao vento na capa da "Time", o Ministro da Justiça do Brasil, Sérgio Moro, posava com uma estátua de seu rosto que recebeu de presente, feita com cartuchos de balas! Sim, balas de verdade, de revólver. Quem é a criança? 

Greta, nesse mundo de homens infantilizados em posição de comando, vira uma afronta e tanto com suas palavras.  A personalidade do ano incomoda, muito, como já disse aqui, principalmente um perfil: homens brancos e de meia idade, aqueles que parecem sentir nostalgia de um tempo em que criança não precisava usar cinto de segurança no carro, em que carrões desperdiçavam gasolina. Ser abertamente racista e homofóbico era permitido e aceitável. 

Na hora em que uma adolescente de 16 anos aponta o dedo na cara de todos nós e diz que devemos mudar nossos hábitos senão o mundo vai acabar, o que fazem os lideres mundiais? Tomam a atitude infantil de a chamarem de "criança" , de "ridícula". 

Trump e Bolsonaro talvez não saibam, mas, enquanto eles estão destratando jornalistas ou tendo ataques de pirraça no Twitter, meninas e meninos do mundo inteiro deixam de lado o "shopping" na sexta feira e passam tardes toda sexta feira protestando contra a mudança climática.

Coisa de crianças ridículas? Trump e Bolsonaro devem achar que sim, enquanto gargalham, fazem arminha ou ameaçam alguém de guerra no Twitter. #maturidade

 

Sobre a autora

Nina Lemos é jornalista e escritora, tem 46 anos e mora em Berlim. É feminista das antigas e uma das criadoras do 02 Neurônio, que lançou cinco livros e teve um site no UOL no começo de 2000. Foi colunista da Folha de S. Paulo, repórter especial da revista Tpm e blogueira do Estadão e do Yahoo. Escreveu também o romance “A Ditadura da Moda”.

Sobre o blog

Um espaço para falar sobre a vida das mulheres com mais de 40 anos, comportamento, relacionamentos, moda. E também para quebrar preconceitos, criticar e rir desse mundo louco.

Nina Lemos